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Meme com um frasco de remédio e a frase no rótulo: "Na verdade, pílulas muito difíceis de engolir." Na parte seguinte, uma mão segurando três comprimidos laranja e a frase: “Você merece amor depois de anos de abuso, mesmo que ainda tenha sintomas de trauma.”


Em segundo lugar, eu não sou médica. Entretanto, sou alguém que vive as sequelas do TEPT complexo na pele há mais de 20 anos.

Ainda assim, posso dizer honestamente que viajar sozinha com transtorno de estresse pós-traumático complexo (TEPT-C) pode ser uma experiência absolutamente maravilhosa, minha sopinha cremosa de milho com croutons.

Dito isso, não vou romantizar a situação. Nem um pouco.

Além de ter nascido e crescido na quebrada, sou sobrevivente de abuso infantil. E se você passou por experiências semelhantes, eu te enxergo e te valorizo.

Você merece ser amada(o), respeitada(o) e ser a(o) legítima(o) dona(o) do seu corpo e da sua vida.

Embora este artigo ofereça algumas ferramentas práticas para lidar com o TEPT-C, ele não substitui, de forma alguma, a terapia. No entanto, muitos terapeutas acreditam que os pacientes que mais estudam e tentam compreender suas condições tendem a se recuperar mais rapidamente.

Este artigo baseia-se principalmente no livro “Complexo Estresse Pós-traumático – DEPT Complexo – Indo de Sobreviver a Prosperar”, de Pete Walker, autor e psicólogo especializado em traumas, que não faz ideia da minha existência, mas que, ainda assim, mudou completamente a minha vida.

O livro é pesado, e a leitura pode se tornar difícil em certos momentos.

Você vai dar risada, mas também vai precisar pausar de vez em quando, pular capítulos e até chorar um pouco (ou um oceano). Ainda assim, prometo: essa leitura vale 100% a pena.

O que é TEPT-C?

Meme do personagem dos Simpsons, Ralph Wiggum, vestindo calça vermelha e camisa azul, sentado em um banco vermelho com os olhos e a boca bem abertos, e a frase: 
"Quando você está estudando psiquiatria, percebe que tem todos os sintomas." "Risos. Estou em perigo."


Para receber o ticket dourado do complexo TEPT-C, uma pessoa precisa apresentar pelo menos cinco das características principais.

É importante que você saiba disso, pois alguns terapeutas propõem tratamentos idênticos, independentemente da pessoa ter obtido uma pontuação de cinco ou de onze características, e essas nuances fazem toda a diferença tanto no seu tratamento quanto na sua recuperação.

De qualquer forma, algumas das características mais comuns incluem:

  • Retrospectivas emocionais são flashbacks súbitos e prolongados de sentimentos avassaladores de medo, vergonha ou abandono vivenciados na infância, sem componentes visuais.

    É como um déjà-vu, mas sem as imagens que geralmente acompanham os sobreviventes de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Você sente tudo de novo porque, na infância, não foi ensinada(o) a regular essas emoções. Afinal, você era apenas uma criança juvenil.
  • A vergonha tóxica é aquele pensamento intrusivo e persistente de que você é feia(o), estúpida(o) ou fadada(o) ao fracasso. Sabe?

    Aquela que sequestra sua autoestima e te arrasta de volta aos insultos e à negligência da infância? Eu também sei e é zoado.
  • Críticas tirânicas, internas e externas, geralmente surgem da falta de limites e de reforço positivo nos primeiros anos de vida.

    Muitos sobreviventes desenvolvem o perfeccionismo como estratégia de sobrevivência. É tipo: “Se eu for perfeita(o), as pessoas vão gostar de mim.”

    Quando a perfeição falha (e pode ter certeza de que vai falhar), a crítica pesada toma conta, tanto de si mesma(o) quanto dos outros.
  • A autonegligência também está, muitas vezes, presente neste contexto. Existem poucos ou nenhum estudo que mensure a toxicidade no ambiente familiar.

    No entanto, é um fato que, quando crianças crescem em ambientes tóxicos, muitas vezes aprendem a internalizar a culpa e a ignorar as suas próprias necessidades. Na idade adulta, isso pode traduzir-se em negligência do próprio bem-estar e dificuldades de autoestima.
  • A ansiedade social e a agorafobia podem surgir após anos de humilhação ou intimidação por parte dos genitores, o que pode fazer com que a interação social pareça perigosa ou assustadora mais tarde.

    Quando você se der conta, o medo de pessoas, de se conectar e de se expor socialmente se tornou normal na sua vida.
  • Solidão e/ou medo do abandono também surgem quando uma criança cresce com uma percepção distorcida do que é um vínculo saudável, real e incondicional.
  • As dificuldades de apego podem resultar da falta de laços emocionais seguros na infância, o que pode levar a sérias dificuldades com a confiança, a intimidade e a vulnerabilidade da pessoa na vida adulta.
  • Paralisação do desenvolvimento. O trauma é capaz de congelar completamente o desenvolvimento emocional de alguém.

    Sobreviventes podem desenvolver dificuldades na regulação emocional, nos relacionamentos e até mesmo no crescimento intelectual.

    Não por falta de inteligência ou capacidade, mas porque sobreviver torna-se prioridade.
  • Mudanças radicais de humor também ocorrem quando o trauma desregula o sistema nervoso do peão.

    As respostas de luta, fuga, imobilização e submissão do seu cérebro se misturam, levando a mudanças emocionais repentinas e reações das quais as pessoas podem se arrepender mais tarde.
  • Dissociação. Sua amígdala aprendeu cedo que “escapar mentalmente” era mais seguro do que permanecer presente.

    Então, agora, às vezes você viaja para Nárnia no meio de uma conversa e volta sem a menor ideia do que está rolando.

Meme do personagem "Sim" da série animada Rick and Morty, com a frase:
"Quando você se dissocia no meio de uma conversa e quando acorda, você tem que agir como se estivesse presente o tempo todo."
  • Ideias suicidas podem ocorrer em casos mais graves. Sobreviventes de TEPT complexo podem fantasiar acidentes, doenças ou a morte, ou até mesmo começar a planejar o suicídio.

    Se isso se aplica a você, por favor, converse com alguém em quem confie. Existe saída.

Como é ter Transtorno de
Estresse Pós-Traumático complexo (TEPT-C)?



Maravilhoso, super recomendo! ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️

Brincadeiras à parte, viver com um TEPT-C é extremamente difícil. E se você não refletir sobre isso, o trauma pode roubar sua vida aos poucos, mon amour.

A boa notícia? Trauma não é uma sentença de prisão perpétua e você não está condenada(o) para sempre.

De acordo com Pete Walker, o trauma é uma resposta que aprendemos e, felizmente, podemos desaprender as respostas que aprendemos.

Com calma, bagunçadamente e com autocompaixão.

Nem todo mundo confia na terapia. Muitos sobreviventes de TEPT-C têm dificuldade para expressar seus problemas aos profissionais, especialmente após terem sido retraumatizados por profissionais inadequadamente treinados.

No meu caso, consultei mais de 100 profissionais antes de encontrar uma psicóloga que não apenas cutucou minhas feridas, mas também me deu ferramentas práticas para lidar com o processo.

Uma terapeuta negra, vivendo como imigrante na Inglaterra, a quem serei eternamente grata.

Meme com cena de Scrubs, onde uma enfermeira abraça um médico, que tenta se desviar dele e a frase: “Encontrar um profissional que entenda de TEPT-C”.


Ironicamente, a jornada de cura do Pete Walker começou com uma viagem mega frustrante a Calcutá, que não trouxe a iluminação que tanto esperava.

Então, fi de Deus, não: viajar não vai te curar magicamente.

Mas pode ajudar na cura se você entender o que esta “heart-shaped box” carrega”.

Pessoas com TEPT-C podem viajar sozinhas?

Meme de uma mulher loira vestindo uma camisa preta, chorando e cobrindo a boca com as duas mãos em puro desespero, uma frase:

"Meu anjo da guarda quando foi designado para mim."



Bom, sou uma mulher de 36 anos que viaja sozinha e mora fora do país e amo viajar!

Preciso de pausas? Com certeza.

Às vezes preciso de silêncio, de me firmar ou de uma porção extra de autocuidado?

Sim, salabim!
Mas me recuso a deixar meu trauma tirar a vida que estou construindo.

Viajar com TEPT-C significa sem chance de minimizar ou ignorar seus sintomas. Confira abaixo algumas ferramentas adaptadas do trabalho de Pete Walker que podem ajudar a gerenciar suas retrospectivas emocionais, especialmente quando viajamos sozinhos.

Ferramentas para gerenciar retrospectivas de TEPT-C
(especialmente enquanto viajamos sozinhas)


  1. Não negue nem ignore.
    Diga o nome do bendito do flashback. Você está sendo puxado para sentimentos antigos, não para nenhum perigo iminente. Lembre-se de que você é uma adulta(o) agora, com habilidades e recursos que não tinha naquela época para se defender.
  2. Lembre-se de que você está com medo, mas não está em perigo.
    Fale consigo como falaria com uma criança em perigo: de maneira gentil e protetora.

    Você não demonstraria aquela gentileza extra para com uma criança que vive em uma situação semelhante à que você passou?

    Portanto, seja extremamente legal com a sua criança interior e ouça o que ela tem a dizer, pelo amor de Goku.
  3. Assuma o seu direito e a sua necessidade de impor limites.
    Seus gatilhos são super reais, mas você precisa aprender a lidar com eles e a estabelecer limites para reduzir o drama e aumentar sua liberdade.

    Eu sei que, às vezes, pode parecer um bicho de sete cabeças, mas quando você começar a mandar bem, se sentirá tão livre e orgulhosa(o) de si mesma(o) que nunca mais voltará aos velhos hábitos!
  4. Tranquilize a sua criança interior.
    Torne-se aquele adulto de quem você precisava no passado. Aventura e segurança podem coexistir. Sabia disso?
  5. Desconstrua pensamentos de eternidade.
    As retrospectivas podem parecer intermináveis, mas elas passam. Você sabe que eles sempre passam, camarada.
  6. Foque no seu corpo.
    Respire. Aterre-se.
    Sinta o ar no seu peito e na sua barriga e repita comigo, com calma: “Essa b*sta é uma absoluta b*sta, mas ela vai passar!”
  7. Resista às críticas cruéis, internas/externas.
    Pergunte: Estou mesmo em perigo ou é uma percepção?

    Pare de tentar controlar o incontrolável e recuse-se a se odiar, a se envergonhar ou a se autoabandonar, pois é hora de dar a si um pouquinho daquele molho, lindeza.

    Se irrite com a p*rra da sua autocrítica e, se necessário, lhe mande calar a boca. Fatos > medo.
  8. Permita-se sofrer.
    Flashbacks são dores não processadas que pedem cuidado. Transforme suas lágrimas em compaixão e sua raiva em proteção, meu bolinho de chuva com canela. Sinta o que tiver que sentir e deixe ir de vez.
  9. Cultive relacionamentos seguros e busque apoio.
    Não se isole. Eduque as pessoas em quem você confia, para que elas possam te ajudar durante seus flashbacks.

    Não tenha medo nem vergonha de pedir ajuda; essas pessoas te amam e te torcem pelo seu sucesso.
  10. Identifique seus gatilhos.
    Preste atenção às pessoas, aos lugares e às situações à sua volta; reconheça as energias que te cercam.

    Às vezes você não conseguirá evitar todas elas, pois, obviamente, tu não vive em uma bolha. Mas a conscientização ajuda muito.

    Se não puder evitar o gatilho e a retrospectiva emocional começar “du neida”, concentre-se nos métodos preventivos desta lista.
  11. Pergunte a si mesma(o) para onde está regressando.
    Seu corpo está tentando curar algo que você carrega nos ombros há muito tempo. Ouça, criatura!
  12. Seja paciente com um processo de recuperação lento e não linear.
    Leva tempo para reeducar suas respostas naturais e reduzir a duração, a intensidade e a frequência de seus flashbacks.

    A cura é confusa, lenta e nada romântica, mas também é real e alcançável.

    Você não está quebrada(o), coisinha. Agora, você está finalmente se tornando.

Viajar sozinha com transtorno de estresse pós-traumático complexo exige coragem. Viver com TEPT-C exige coragem.

Você não é frágil, docino de ameixa com coco. Você tem superpoderes!

Agora fique um pouco offline. Vai viver. E se você levar este artigo com um pouco mais de autocompaixão do que antes, prometo que me deixará muito feliz.

Te envio um caminhão de amor, aceitação e minhas melhores energias.
Você merece o mundo. 💛🌎

Meme do Lula Molusco em duas cenas:

1 – Estendeu sua cadeira azul e a frase:
"Espaço seguro para indivíduos traumatizados e TEPT e TEPT-C."

2 - Ele pega sua cadeira e se dirige em direção a sua casa:
"Abuso narcisista."