Foto minha usando uma saia florida preta, uma blusa preta sem mangas e tênis pretos em um holograma do Universo, no Museu do Espaço e Cubo em Bangkok.
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Ilustração de uma bebezinha moreninha correndo para dentro de um circo roxo.


O circo espiritual em que eu nasci


Eu cresci em um ambiente muito confuso, espiritualmente falando.
Espiritualidade e saúde mental nunca foram assuntos discutidos no almoço de domingo.

A mãe do meu pai era católica fervorosa.
O pai do meu pai era um padre que fez dois filhos na minha avó e fugiu com a irmã dela.

Minha avó tem ascendência indígena e foi adotada pela mãe da irmã dela, que veio de uma família de escravizados. Minha avó também valorizava a espiritualidade nativa, e sua irmã (que cuidou muito bem de mim durante muitos anos da minha infância) costumava incorporar alguns elementos das religiões africanas tradicionais no que ela chamava de cristianismo.

Quando você é criança, tu come areia. Tu não racionaliza religião nem espiritualidade. Então, toda essa confusão, na verdade, teve um impacto positivo na minha vida, porque eu nasci em meio à diversidade.

Ilustração de uma menina moreninha, com uma maria-chiquinha no cabelo e uma camiseta roxa, olhando para um globo terrestre.

O dia em que meu mundo encolheu


Durante minha pré-adolescência, minha mãe se tornou Testemunha de Jeová.
E foi a partir desse momento que minha vida mudou radicalmente.

Mesmo sem nunca ter me identificado com essa religião, eu não tive muita escolha.
E de repente, nada mais de aniversários, Páscoa, Natal, Dia das Mães, presentes do Dia das Crianças e assim por diante.

Sem amigos do mundo também. (Pessoas de fora da denominação)

Agora, eu tinha que bater na porta das pessoas para convencê-las de algo em que nem eu mesma acreditava e escrever um relatório mensal das “preciosas horas que dediquei a Deus”, porque eu morava na casa dos meus pais e só poderia fazer o que quisesse quando tivesse meu próprio lugar”.

Isso tudo causou um grande choque na minha vida.
Mesmo antes de completar 18 anos, encontrei mil maneiras de fugir daquela realidade.

Até eu me tornar independente o suficiente para sustentar minha decisão de exercer autonomia sobre minha espiritualidade, que, aliás, era equivalente a zero por um longo tempo.

A ideia de um Deus que se apresenta como a personificação do amor, mas mata pessoas que se recusam a obedecer a ele, me parece muito radical.

Tipo, fala sério! Meus pais ficaram putos da vida comigo por eu ter abandonado a fé que escolheram por mim, mas não acho que tenham planejado apagar minha existência da face da Terra. Pelo menos, espero que não.

Mas quando é com Deus, tá suavinho?

Sei lá, nada contra quem acredita nisso. Mas para mim, é simplesmente inaceitável.
De qualquer forma, acabei sendo expulsa e, a partir dali, nenhuma Testemunha de Jeová podia mais manter contato comigo.

Pausa.

Lembra quando eu disse que não podia ter amigos fora da denominação?
Bom… de repente, eu também não podia ter contato com ninguém de dentro da denominação.

Ilustração da palavra "fé" no centro de uma placa de proibido.

Dez anos sem um deus ou sem fé em qualquer coisa.


Toda essa confusão me fez ser ateia por mais de 10 anos.
Me recuso a acreditar em um Deus que massacra pessoas ou ignora esse tipo de atrocidade.

Mas à medida que minha fé em Deus desaparecia, minha fé na humanidade também ia para o ralo. E quando você não tem esperança em nada nem em ninguém, para onde exatamente vai a sua depressão?

Lá nas alturas!

Eu cheguei a 5 mm de distância do fundo do poço. Sério.

Primeiro, comecei a agir de forma bem escrota, arriscada e impulsiva.
Até que decidi acabar com a minha vida de vez.

E mano, eu cheguei muito perto de bater as botas…

Enquanto você lê este post, imagina que eu sobrevivi.
E você está certinha, coisinha esperta do caramba. Eu sobrevivi mesmo.

Por meio da equipe de crise do NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido), tive uma conversa séria, porém super necessária, com o motorista da ambulância.

E vou compartilhar isso contigo, porque é importante que você saiba exatamente o que ele me disse na minha última tentativa de suicídio. As palavras dele foram:

“Ana… Essa substância que você ingeriu não é suficientemente venenosa para te matar.
Entretanto, dependendo da quantidade, ela pode te deformar ou te transformar em um vegetal. Então, pense duas vezes. Porque se você se tornar mais um dos casos que costumo atender, terá ainda mais motivos para odiar o que quer que odeie na sua vida.”

Cara, aquilo foi o tapa na cara de que eu precisava!

E a partir daquela conversa, eu elaborei dois planos:
Plano A: Encontrar uma maneira infalível de acabar com tudo de vez.
Plano B: Achar uma explicação científica de como cheguei até ali e tentar melhorar.

Bom, já que eu estava morando em um país de primeiro mundo, por que não experimentar a medicina e ver o que a ciência diz sobre esse tsunami de diarreia, afinal?

Ilustração de uma mulher de ascendência africana, uma médica poderosa, como minha querida Sheyla, vestindo um uniforme azul e segurando uma seringa, com um ponto de interrogação sobre a cabeça.

100 Profissionais e uma pergunta que mudou tudo


Durante a minha saga por uma explicação que fizesse qualquer sentido, consultei cerca de 100 profissionais diferentes.

E toda vez que eu tinha que falar com uma pessoa nova, eu tinha que recontar e reviver meus benditos traumas.

Para a surpresa de um total de zero pessoas, deu ruim.

Até que conheci uma psicóloga maravilhosa, por meio do programa de saúde mental do NHS para sobreviventes de abuso, que realmente me ofereceu ferramentas práticas para lidar com meus episódios.

E em uma sessão específica, ela simplesmente olhou para mim e perguntou:
“Você já pensou na possibilidade de absorver as energias de pessoas e lugares?”

Aquilo me bugou por um momento. Tipo, foi totalmente “du neida”!

“Por que raios minha psicóloga está aqui falando sobre essas coisas místicas de energia?”

“Soluções, fia. Pare já com isso e me dê soluções concretas. Faz o favor?”

Mas a Sheyla, aquela maravilhosinha de uma figa, manteve uma postura cientificamente composta e me apresentou uma série de evidências para o que sugeriu, plantando, pela primeira vez, aquela sementinha da curiosidade na minha cachola inquieta.

Antes de me mudar para a Tailândia, cheguei a participar de pesquisas formais conduzidas pela equipe acadêmica do NHS, respondendo a perguntas sobre sensibilidade e empatia. Que loucura, gente!

Ilustração de três sementes beges sendo liberadas no solo marrom.

Na verdade, a sementinha foi plantada antes


Para ser honesta, talvez a minha primeira experiência de despertar espiritual tenha ocorrido muitos anos antes, durante o meu primeiro contato com ayahuasca, em uma cerimônia de Santo Daime.

Confesso que aceitei o convite do meu colega sem muitas expectativas.
Mas decidi permanecer aberta ao que quer que viesse.

A pessoa que foi comigo disse que só queria ficar doidão mesmo.
E, no final da cerimônia, ele disse que não foi muito diferente de qualquer outra vez em que ficou chapado.

Um pouco antes daquela cerimônia, tive meu primeiro momento espiritual em anos sem nem perceber.

Simplesmente lancei minhas expectativas a Deus, ao Universo, ao He-Man, ao Goku, à Mulher Maravilha ou a qualquer um que estivesse por “lá” (sem especificar muito bem onde esse “lá” seria), dizendo: “Se existe algo mais nesta vida, me deixa ver.”

Porque sim, sou daquelas que só acredito vendo.

Lamento te desapontar, mas naquela noite não vi nada de excepcional, exceto algumas cores realmente bonitas e vibrantes.

Mas havia algo naquela experiência que, de alguma forma, não parecia ser uma euforia passageira. Como eu disse, já tinha experimentado muitas aventuras arriscadas e compulsivas para me divertir e simplesmente sabia que aquela ocasião não era uma delas.

Ilustração de duas mãos morenas, prometendo de mindinho e algumas estrelas ao redor.

Minha confissão sincera


Eu não vi Deus naquela noite.
Eu não tive uma revelação.

Não flutuei acima do meu corpo, não aprendi um Kamehameha e não recebi nenhuma sabedoria milenar dos meus ancestrais.

Mas ainda assim, algo mudou. Algo que eu ainda não conseguia nomear.

E essa coisa sem nome definido levaria anos, uma psicóloga do NHS, uma pesquisa formal e muitas buscas relutantes no Google para a ficha finalmente cair.

A ayahuasca não me proporcionou nada que eu pudesse medir, provar ou explicar.
E eu precisava de provas. Sempre precisei de provas.

Então, quando a Sheyla estava ali na minha frente, quase 10 anos depois, usando a palavra “energia” sem hesitar, eu buguei, mas decidi continuar a conversa para ver aonde iria.

Pela primeira vez, eu me perguntei:
Que p*rra é essa? O que a ciência realmente diz sobre tudo isso?

E essas perguntas me levaram diretamente à toca do coelho da Alice, sem caminho de volta.

Na Parte 2, mostrarei exatamente o que descobri sobre a ciência e a espiritualidade caminhando juntas. Até lá, que a Força esteja com você, babe. 🖖🏽

Ilustração de dois sabres de luz de Star Wars se cruzando: um vermelho e um azul.