

Você já parou para pensar na história da viagem e do turismo? Como será que aconteceu a primeira
viagem da humanidade?
Qual é a verdadeira origem da viagem e do turismo? Essa pergunta sempre me intrigou, mas nunca tinha parado para pesquisar sobre isso. Até este exato momento, em que pensei que seria a forma mais lógica de iniciar um blog de viagens.
A história pode, às vezes, parecer confusa e até difícil de absorver. Por isso, pouparei seu tempo e resumirei horas de pesquisa, para que você também descubra como raios surgiu a primeira viagem e como esse começo ainda influencia o turismo atual.
O que a geologia nos ensina sobre a viagem e o turismo?
Prepare-se para explodir a mente!

Não sei se já te contei, mas tenho altos diálogos comigo mesma. Assim que um lado do meu cérebro perguntou sobre a origem da viagem, o outro lado logo rebateu, lembrando dos nossos primos neandertais.
Pensa comigo: as mudanças climáticas e a busca por comida já seriam motivos de sobra para que eles viajassem longas distâncias, não é?
E essa, amiguinhos, foi a minha descoberta favorita enquanto escrevia este post: alguns arqueólogos acreditam que os neandertais podem ter cruzado o Mediterrâneo de barco há mais de 100.000 anos! O tema ainda é bem polêmico, mas ferramentas de pedra encontradas em ilhas como Creta são difíceis de explicar de outra forma.
Mais impressionante ainda, segundo o The New Scientist, nas Ilha de Flores, na Indonésia, uma equipe de geólogos encontrou ferramentas de pedra fabricadas há cerca de 1 milhão de anos. Isso indica que os Homo erectus possivelmente se aventuraram nos oceanos muito antes dos neandertais sequer existirem. Consegue imaginar uma cena dessas?
Agora, imagina você lá, com a cara e a coragem, pegando o seu projetinho de barco, sem mapa nem bússola. Simplesmente correndo para o abraço do desconhecido, sem a menor ideia de qual seria o destino.
E aí, teria coragem de embarcar nessa? 🤯
A história da viagem enquanto turismo
Aqui é assim: ou te conto a fofoca toda ou nem perco meu tempo. Você sabe a origem da palavra “turismo” e quais outros termos foram empregados para descrever esse conceito durante nossa história?
A palavra “tourism” (turismo) surgiu pela primeira vez na língua inglesa em 1811. Ela deriva de “tour”, termo que percorreu um caminho (naturalmente) passando pelo francês antigo e pelo latim tornus até chegar ao grego antigo tornos: uma ferramenta para traçar círculos, semelhante a um torno.
Assim, em sua origem, fazer um “tour” significa descrever um círculo e retornar ao ponto de partida.
Tá bom, beleza. Apesar de ser a verdadeira louca da etimologia, menos discurso e mais atitude.
Historicamente, como e onde o turismo começou e como se tornou tão popular?
Evidências genéticas mostram que os neandertais viajaram muito além da Europa e do oeste da Ásia, chegando até a Sibéria, onde conheceram e se reproduziram com outro grupo de humanos arcaicos, os denisovanos. Em 2018, cientistas chegaram a identificar uma menina, apelidada de “Denny”, filha de mãe neandertal e de pai denisovano.
Estas descobertas fascinantes revelam que tais seres eram criativos e inteligentes, com habilidades incríveis de sobrevivência. Ainda assim, eles não viajavam a lazer, ou, pelo menos, não há registros reconhecidos pela ciência que comprovem esta hipótese.
Uma (semi) breve linha do tempo
⏱ Viajando
Na Antiguidade

Como as pessoas começaram a viajar por diversão? Os gregos antigos já pegavam a estrada para assistir aos Jogos Olímpicos e consultar o oráculo de Delfos, e o historiador Heródoto rodou o Egito no século V a.C., fazendo anotações como um verdadeiro protoblogueiro de viagens.
Mas quem transformou a viagem de lazer em estilo de vida foi o mesmo povo que, convenientemente, popularizou as estradas: os romanos. Especificamente (e sem surpresa nenhuma), os ricos.
As primeiras estradas foram construídas nos anos iniciais da República Romana (por volta de 509 a.C. a 27 a.C.) e se expandiram durante o Império Romano (entre 27 a.C. e 476 d.C.).
Elas foram construídas principalmente para fins militares, mas, com o tempo, se tornaram vias de troca e comunicação, de transporte e de acesso às villas de verão para o entretenimento dos mais ricos.
Por meio do turismo, os romanos passaram a desbravar a cultura, a literatura, a culinária e a arte ao redor do globo.
⏱ Viajando
Na Idade Média
Espiritualidade e turismo estão intimamente ligados à história da sociedade desde sempre. Durante a Idade Média, a peregrinação se tornou muito popular entre cristãos, budistas e muçulmanos. Entre os séculos V e XV, os peregrinos percorriam longas distâncias para rezar, fazer oferendas, cumprir penitências ou simplesmente fortalecer a fé.
Na China, alguns dos registros de viagem mais detalhados provêm de peregrinos budistas. Um dos primeiros, Faxian, partiu para a Índia em 399 d.C., já com seus 60 e poucos anos, em busca de textos budistas e para aprender a língua local. Depois dele vieram Xuanzang e Yijing, no século VII. Seus relatos misturavam geografia e topografia a canções e poemas filosóficos.
De acordo com o site Asian Studies, um dos primeiros viajantes da China foi um monge de 60 anos chamado Faxian, que visitou a Índia para aprender a língua local e conhecer templos, buscando compreender mais profundamente os ensinamentos budistas.
⏱ O Turismo Moderno ou a Grand Tour

Como se iniciaram as viagens de lazer? O turismo, como conhecemos hoje, tem suas raízes na chamada Grand Tour, uma atividade exclusiva para homens europeus da classe alta.
Um dos primeiros registros de uma “eurotour” foi feito por nada mais, nada menos do que pelo rei da Polônia.
Um maluco chamado Władysław Vasa, que, enquanto ainda era príncipe, visitou a Alemanha, a Bélgica, a Holanda, a França, a Espanha, a Suíça, a Itália, a Áustria e a República Tcheca. Isso aconteceu entre 1624 e 1625, e ele viajou para aprender sobre o armamento militar e as táticas de guerra ao redor da Europa.
Apenas em 22 de março de 1842, Ida Pfeiffer partiu em uma viagem que a tornaria uma das primeiras escritoras de viagem solo famosas. Ela mentiu para os amigos e a família, dizendo que iria só até Constantinopla, para que não se preocupassem nem a tirassem do navio. A austríaca realmente foi para Constantinopla, mas de lá já pretendia esticar um pouquinho mais, até o Mar Vermelho, e acabou ficando fora por nove meses.
Já o século XIX assistiu de camarote à introdução dos primeiros trens e das agências de viagens.
Em 1841, um marceneiro e pregador inglês chamado Thomas Cook fretou um trem para levar cerca de 500 pessoas de Leicester a Loughborough para um encontro sobre temperança. Fez tanto sucesso que ele transformou a ideia em negócio: viagens acessíveis e com tudo incluído para as classes trabalhadoras e médias da Revolução Industrial. Mais tarde, seu filho, John Mason Cook, entrou na empreitada, e a Thomas Cook & Son levou viajantes pela Europa, pelo Egito e além. Não à toa, Thomas é chamado de “pai do turismo moderno”.
No fim do século XIX e comecinho do XX, o turismo alcançou um outro patamar com o surgimento dos ônibus e dos carros.
Em 1881-82, o SS Ceylon fez história como o primeiro cruzeiro de volta ao mundo. O navio partiu de Liverpool em uma jornada de dez meses, passando pelo Canal de Suez até o Mar Vermelho, cruzando o Mar Arábico e o Oceano Índico, navegando pelo Mar da China Meridional até o Pacífico e descendo pela costa oeste das Américas, até contornar o Cabo Horn.
No século XX, especialmente após a Primeira Guerra Mundial, tanta gente começou a migrar para outros países que os governos passaram a ter dificuldades em identificar a origem dos cidadãos e, assim, mandá-los de volta aos seus países de origem.
Este artigo da National Geographic explica que as coisas saíram do controle tanto que a Liga das Nações reconheceu a urgência de criar o que hoje chamamos de passaporte, obtendo o pleno apoio dos EUA para limitar o fluxo de imigrantes.
Por que viajar é tão importante na
história da humanidade?

Em resumo, as viagens moldaram a trajetória humana ao facilitar o comércio, as trocas culturais, o desbravamento, as migrações, a difusão da religião e da educação, além, claro, de nos proporcionar preciosos momentos de lazer.
Diversas rotas históricas, destinos clássicos e práticas estabelecidas no passado continuam a atrair viajantes até os dias de hoje. A evolução dos nossos sistemas de transporte fez com que viajar se tornasse mais acessível e eficiente para a sociedade contemporânea.
Será que a história do turismo se conecta
com o turismo moderno?
A resposta é: com certeza. Herdamos investimentos históricos em infraestrutura, como estradas, frotas de ônibus, redes hoteleiras e sistemas ferroviários.
Não podemos negar nem minimizar o impacto que as viagens exerceram nos meios de sobrevivência, nos impulsos para mudanças ou como fonte de inspiração para os seres humanos em diversas áreas de suas vidas.
Por outro lado, essas práticas também causam impactos negativos às comunidades nativas e ao meio ambiente. O momento de agir é agora!
As explorações históricas dos recursos naturais por meio do turismo têm evidenciado a urgência de adotarmos práticas sustentáveis, incorporando na indústria as lições do passado, no que diz respeito à preservação cultural e ambiental.
Hoje, graças à interconectividade global, os viajantes têm acesso a uma diversidade sem precedentes de destinos e experiências.
Bola de cristal…
Qual é o futuro do turismo?

Como o turismo se desenvolveu e se tornou o que conhecemos hoje?
Nesta nova e tecnológica era, empresas de turismo e freelancers podem usar a história da viagem para adaptar seus métodos aos comportamentos e às demandas da sociedade moderna, além de utilizar ferramentas de IA para analisar avaliações e identificar preferências emergentes, mantendo-se líderes no mercado.
Para maximizar a experiência dos clientes, é possível acessar imersões virtuais, contação de histórias digitais, conteúdos interativos, robôs, museus, exposições de alta tecnologia e softwares integrados ao atendimento ao consumidor.
Ainda assim, não podemos ignorar os impactos significativos de nossas ações no planeta e em seus ecossistemas apenas por lucro.
Precisamos transformar viagens passivas em experiências ativas, promovendo um turismo que eduque e repare a beleza do planeta que tanto amamos explorar. Não importa o quão digitalizada nossa sociedade tenha se tornado, viagens autênticas e conexões profundas sempre farão parte de nossas necessidades humanas.

O futuro do turismo promete ser dinâmico, transformando-se em um cenário em evolução, moldado por tendências inovadoras. A sustentabilidade será o carro-chefe de 2026, com viajantes cada vez mais optando por entretenimentos éticos que minimizem
impactos ambientais.
Resiliência e flexibilidade serão essenciais, à medida que a indústria se adapta a mudanças globais, como flutuações econômicas e climáticas. Com foco na conscientização cultural e na sustentabilidade, o turismo do futuro caminha rumo a uma jornada mais atenta, personalizada e orientada pela tecnologia.
Se Einstein nos ensinou que massa e energia são dois lados da mesma moeda, talvez o mesmo valha para as pessoas: para onde as massas vão, a energia e o movimento vão atrás.
Precisamos nos unir para criar um movimento de reparação, equidade e respeito pelo nosso lar e pelo dos outros, reformulando o conceito de viagem e criando experiências que sejam mais do que memoráveis.
Que sejam significativas! 💛